Empreendedorismo feminino pauta reunião da CBMEC

Câmara da CNC discute agenda legislativa e promove palestra sobre protagonismo e liderança das mulheres

O fortalecimento do empreendedorismo feminino e o avanço de políticas públicas voltadas às mulheres estiveram no centro dos debates da reunião da Câmara Brasileira das Mulheres Empreendedoras do Comércio (CBMEC), realizada nesta quarta-feira (25), em Brasília.

A CBMEC atua como espaço estratégico de diálogo e formulação de propostas que incentivam a participação das mulheres nos setores do comércio de bens, serviços e turismo com foco na inclusão produtiva, na autonomia financeira e na ampliação do protagonismo feminino nos espaços decisórios.

Na abertura do encontro, a coordenadora da Câmara, Laura Paiva, destacou o peso da chamada “economia do cuidado”, majoritariamente exercida por mulheres, e reforçou o papel da CBMEC como plataforma de transformação social e econômica.

“Esses números não são apenas estatísticas. São um chamado para que a CBMEC seja cada vez mais um espaço de conexão, fortalecimento e impulso às mulheres empreendedoras em todo o Brasil”, afirmou.

Laura ressaltou que essa é, hoje, a única câmara temática da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com representantes em todos os Estados e no Distrito Federal, o que a torna a maior em número de integrantes e suplentes. Entre as prioridades para 2025 e 2026, ela destacou a estimulação à criação de Câmaras Estaduais da Mulher Empreendedora, em parceria com as Federações, e a construção do planejamento estratégico da CBMEC, com definição de missão, valores e objetivos.

“É no território, na realidade local, que conseguimos atuar com mais profundidade, compreender desafios específicos e gerar impacto direto na vida das mulheres”, pontuou.

Integração e fortalecimento das câmaras

A gerente da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços (ACBCS), Andrea Marins, apresentou um panorama do desempenho das câmaras setoriais da CNC, com base em relatório que reúne ações, proposições, articulações técnicas e indicadores de participação.

Segundo Andrea, o material, encaminhado aos presidentes de Federações e compartilhado nas reuniões de Diretoria da CNC, contribui para o alinhamento institucional e a qualificação do trabalho das câmaras.

“A participação ativa dos integrantes é determinante para que as proposições avancem e gerem resultados concretos”, destacou.

Ela reforçou ainda a importância da troca de informações entre estados, da divulgação das ações aos sindicatos e do uso das reuniões híbridas para ampliar o engajamento e fortalecer a atuação das câmaras em todo o País.

Projeto “Mulheres em Ação” apresenta resultados e potencial de expansão

Na sequência, foi apresentado o projeto Mulheres em Ação, por Marcela Antunes Rocha Mota, da Fecomércio-SE, em parceria com o Senac-SE. A iniciativa teve projeto piloto realizado em outubro de 2025, e o foco é a capacitação profissional, o fortalecimento da autoestima, o desenvolvimento de competências empreendedoras e a promoção da autonomia financeira de mulheres.

“Empreender não é apenas abrir um negócio. Começa dentro de cada mulher, na forma como ela se enxerga e acredita na própria capacidade de construir um futuro melhor”, esclareceu Marcela.

O projeto estrutura uma trilha de desenvolvimento que abrange inteligência emocional, autocuidado, carreira, empreendedorismo, educação financeira, marketing, atendimento ao cliente e uso de ferramentas digitais. As participantes recebem capacitação técnica pelo Senac e mentoria para inserção no mercado de trabalho ou início do próprio negócio.

Os resultados demonstraram impactos positivos, com aumento da confiança, da qualificação técnica e da geração de renda, além de oportunidades concretas de empregabilidade. A proposta foi apontada como experiência bem-sucedida, com potencial de replicação em outros estados, ampliando o alcance de políticas de estímulo ao empreendedorismo feminino no Sistema Comércio.

Agenda legislativa voltada às mulheres empreendedoras

Outro ponto central da reunião foi o acompanhamento legislativo, exibido pela Diretoria de Relações Institucionais (DRI) da CNC, representada pela coordenadora administrativa institucional, Thaís Peters, e pela assessora Fabíola Melo. Foram atualizados projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que tratam do empreendedorismo feminino, do acesso ao crédito, da capacitação profissional e da ampliação da participação das mulheres no mercado de trabalho.

Segundo Thaís, o monitoramento constante das proposições é fundamental para garantir que as pautas avancem de forma alinhada aos interesses do setor produtivo.

“Nosso trabalho é acompanhar de perto a tramitação dos projetos e dialogar com os parlamentares para que as propostas considerem a realidade das mulheres empreendedoras e a sustentabilidade das políticas públicas”, explicou.

A CNC mantém posicionamento favorável às proposições que fortalecem o empreendedorismo feminino, com ressalvas técnicas em alguns casos, sempre com foco na segurança jurídica, na viabilidade das medidas e no equilíbrio regulatório.

Durante a apresentação, Fabíola Melo reforçou a importância da articulação local para garantir mais avanços. “A mobilização nos Estados é decisiva. O engajamento das Federações e das lideranças regionais contribui para dar mais força às pautas do empreendedorismo feminino no Congresso Nacional”, enfatizou.

Entre os projetos analisados, destacam-se o PL nº 1.395/2025, sobre o empreendedorismo feminino e medidas de apoio destinadas a ampliar a presença das mulheres no mercado de trabalho; o PL nº 1.334/2023, que institui o Programa Nacional Mulher Empreendedora Cidadã (PNMEC); o PL nº 1.098/2023, que trata da prioridade de atendimento a negócios controlados por mulheres; o PL nº 904/2023, sobre o fomento ao empreendedorismo feminino no âmbito do PNMPO; o PL nº 1.912/2022, que institui o Programa de Estímulo ao Empreendedorismo Feminino; e o PLP nº 31/2021, que cria o MEI Mulher Empreendedora.

Também foi destacado o Projeto de Resolução do Senado (PRS) nº 60/2025, que institui o Prêmio Mulheres que Movem o Brasil – Empreendedorismo Feminino, já transformado em norma jurídica, como reconhecimento do papel das mulheres no desenvolvimento econômico do País.

Palestra aborda liderança, autoestima e impacto nos negócios

A reunião também contou com um momento de celebração ao Mês da Mulher, que foi a palestra “Despertando a voz interior: coragem para a transformação pessoal e o impacto no negócio”, conduzida por Renata Araújo, cantora, palestrante, poeta, dançarina e psicanalista, criadora do projeto PalestrArte.

Com uma abordagem que integrou psicanálise, arte e expressão corporal, Renata compartilhou reflexões sobre identidade, desejo e autoconhecimento, convidando as participantes a reconhecer suas próprias trajetórias e a coragem necessária para assumir escolhas pessoais e profissionais.

Durante a apresentação, a palestrante salientou a diferença entre “querer” e “desejar”, ressaltando que o desejo exige enfrentamento do medo, desprendimento do olhar do outro e compromisso com aquilo que é próprio de cada pessoa.

“Cada uma tem a sua travessia. É preciso coragem para não deixar aquilo que nos pertence guardado para sempre”, declarou.

Renata também utilizou o “SerTão” como metáfora de origem, identidade e valores, destacando a simplicidade, a humanidade e o conhecimento construído na experiência de vida como fundamentos para a criação e para o exercício da liderança. Ao compartilhar sua trajetória artística e empresarial, reforçou que o empreendedorismo exige tanto gestão e estratégia quanto sensibilidade, criatividade e escuta interior.

“A apropriação do próprio desejo é um caminho solitário, mas é esse movimento que nos coloca no nosso eixo e permite crescimento pessoal e profissional”, destacou.

Ao final, Renata ressaltou a potência do feminino como campo de criação e inovação, defendendo que as mulheres ampliem suas estratégias de atuação sem abrir mão da sensibilidade, da inteligência emocional e da capacidade de construir caminhos próprios.

Fortalecimento do protagonismo feminino

Ao longo da reunião, as participantes reforçaram o compromisso da CBMEC e da CNC com a construção de um ambiente de negócios mais inclusivo, colaborativo e diverso que valorize a atuação das mulheres empreendedoras e amplie oportunidades nos setores representados pela Confederação.

A Câmara Brasileira das Mulheres Empreendedoras do Comércio é uma das 11 câmaras temáticas da CNC e atua como órgão consultivo na formulação de políticas e ações voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino em todo o País.

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Fotos: Paulo Negreiros

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